Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007

O Sentido da Vida e da Morte

O Sentido da Vida e da Morte

        

Todos sabemos que nascemos, vivemos e morremos. 0 que ninguém sabe, verdadeiramente, é a real mensagem do nascimento, do nosso percurso e morte, muitas vezes prematura.

 

O interessante é pensar como o homem conduz e organiza a sua vida, isso inclui, a forma como são atribuídos os valores àquilo que a vida oferece: coisas, pessoas, conhecimentos e sentimentos. Essa reflexão pode conduzir-nos a um olhar mais profundo sobre como, muitas vezes, acabamos levando a vida.

Existir não significa viver porque os que simplesmente existem têm mais angústia pensando na morte do que aqueles que vivem num caminho buscando uma meta, um ideal. Os que existem buscam constantemente apenas o que melhor possam conseguir para si de uma maneira egoísta. Já os que vivem têm um projecto entusiasta de vida. Para estes não importa o tamanho da sua obra, mas sim, deixar qualquer coisa de muito positivo para o seu próximo. Acreditam que se construírem algo positivo, mesmo que seja simplesmente cuidar da sua família, estão ajudando a humanidade. Os seus filhos são para eles uma espécie de mensagem viva para um futuro que não viverão, por isso o amor que oferecem e dedicação é a essência da sua própria vida.

Devíamos considerar a dor da perda como uma visita da morte à Vida, e sem dor não há Vida. Apegarmo-nos demais a tudo que materialmente possuímos, melhor dizendo, pensamos que possuímos e iludirmo-nos por um espaço de tempo que mais cedo ou mais tarde se nos apresentará sem sentido. Houve outros valores, como a afectividade, o amor ao próximo, o relacionamento humano que foi descurado. Olhando para esse passado que já não sentimos e não nos deixou raízes, vemos um futuro curto e árido, resultado do caminho percorrido. Reconhecemos que já é tarde para modificar tanta coisa que poderíamos ter semeado.

Amor não significa velhice. Contrariamente, é uma certeza para atravessarmos a vida com coragem e com objectivos. É necessário perdermos o medo ao inevitável e viver com qualidade. Não devemos sofrer antecipadamente o nosso final anunciado. É essencial reflectir sobre a Vida, dar-lhe significado, meditar e construir o nosso caminho da melhor maneira possível. Não devemos mentir a nós mesmos escondendo a sua existência silenciosa.

Muito poucos de nós têm intimidade com cemitérios. Alguns fazem do cemitério um ponto onde encontram paz e meditação. Outros preferem a natureza e, por isso, desejam ser cremados e que as suas cinzas sejam jogadas nos campos, nos rios ou no mar. Cada pessoa sente de maneira diferente mas, no entanto, há muito em comum em todas elas. É preciso respeitar a dor.

A morte acompanha-nos desde o nascimento e, sendo cega, não escolhe idades. Nada nos pertence e os nossos filhos também não. Somos só depositários fiéis desse tesouro. É muito difícil depois de tanto amor, carinho e preocupações, ficarmos tão magoados e sem esperança.

A partir da sua ausência o que verdadeiramente importa é saber viver com esse vazio, sem dele fugir como recorrer a crenças alucinantes. É preciso deixar fluir a vida naturalmente.

publicado por filosoficamentefalando às 16:20
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